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CADÊ CORAGE... CADÊ?!
Foi na festa do compadre
Que teve lá na fazenda
Me deu uma "baita" vontade
De arranjar uma prenda
Assuntei de tudo jeito
Pra escolher alguém direito
Que as moça de hoje em dia
Num chega aos pé da Maria
Quando olhei pras roda e dança
Vi uma faceira, de trança
Bela nos traje e no rosto
Enchi meu peito de gosto
Num gole virei meu trago
Mi armei de atrevimento
- É hoje que faço estrago
Acerto outro casamento...
Na dança de pôr o chapéu
Corri e me apresentei
a graça caiu do céu
No par da morena botei
Nos braços a rodiei
E o seu nome perguntei
- É Rita, disse a guria
Trabalho na Olaria
Os pé meio embaralhado
Co a Rita mi desculpei
Há tempo ando enferrujado
Desde que me enviuvei
Não se avexe não Sinhô
Quinda sou menina flor
Só quero me divertir
Por isso é que vim aqui
A conversa foi crescendo
A tal da paixão nascendo
O carro na frente dos boi
Botei sem esperar o depois.
Mas...na hora de partir o bolo
Que na roça é sagrado
Me vi metido num rolo
Da Rita e um tal namorado
O cabra jovem e valente
Foi dizendo alvoroçado:
- Cai fora meu camarada
Que a Rita é compromissada!
É...O jeito foi mi arriá
O rumo de casa tomá
Cabra que é macho matreiro
Num roça em mato "alheio"
No caminho matutando
Os planos fui desmanchando
O "dema" ao se intrometer
abiscoitou meu prazer
Casar coa Rita meu Deus
Que bom num havéra de sê
Quem sabe uma outra vez
Disputo o coração seu.
Mas depois fico pensando:
- Cadê corage...cadê?
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